terça-feira, 27 de julho de 2010

Recordações passadas e futuras


Era um grupo de pessoas com bom aspecto e gosto que observava enquanto se abstraía do burburinho de fundo, do som monótono e constante que o transportava para recordações de outros tempos recentes. Já não eram aquelas pessoas que se encontravam à sua frente, mas outras suas conhecidas e algumas amigas que surgiam como fantasmas de memórias agradáveis, misturadas com uma emoção doce de nostalgia e alguma suave tristeza.

Ele já não era a mesma pessoa, mas algo desse tempo residia guardado no seu íntimo à procura da solução para melhor juntar esses bocados de si dispersos por esse tempo feliz do passado, de forma a poder sentir o presente e preparar um futuro ainda mais feliz, leve e estável.

De repente, vindo não se sabe de onde, outra imagem agora do presente rompeu por essa divagação e um sorriso pensativo esculpiu-se no seu rosto, encantado pela beleza e suavidade que lhe apareciam nos olhos da mente, enquanto num outro lado de si a imagem da juventude imaculada em beleza pura traziam-lhe frescura, alegria e um sentimento inexplicável de eternidade e de um não sei quê, do que virá ou poderá vir a ser, mas sempre com essa sensação de ligação.


Sem avisar, essa eternidade de paragem do tempo, trouxe-o numa viagem ao momento presente e lá estavam aquelas pessoas e o burburinho que geraram o click para essa pequena travessia que pareceu um sonho acordado. Contudo, ao sair daquele local algo veio consigo, flutuando na sua cabeça em sensações que lhe permaneceram pela noite dentro e que não sabia o que havia de fazer com elas, mas que faziam parte de si e por isso não as poderia deitar fora, no máximo talvez adocicar essa sensação para se fortalecer com a sua experiência. 

Foi uma decisão sábia por que o iria fortalecer ainda mais e prepará-lo para conviver mais saudavelmente com essas recordações e tornar o seu presente ainda mais leve. Pensou nisso e sorriu, sentindo que o futuro seria sorridente.
António Pereira

1 comentários:

Andrea Miguel disse...

Que texto bonito e enigmático! Um beijinho grande,
Andrea