sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O futuro das gerações...



Recebi um destes dias um e-mail do nosso querido aluno Pedro Garcia, com um texto do jornalista João Pereira Coutinho que vale a pena ler e reflectir sobre o seu conteúdo.

"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A  criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.

Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.

Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"

Devemos repensar a forma como estamos a construir a sociedade para nós e para as gerações seguintes. Pensar se é isso que queremos para nós e para os nossos entes queridos e questionarmos a quem interessa este tipo de situação e ter a coragem de encontrar outro(s) modelo(s) para nós, encontrar pessoas que pensem como nós, ou ser mais coerente com aquele que defendemos e vivemos, sempre com um princípio de tolerância para com os outros. 
António Pereira


3 comentários:

Pedro Carrer disse...

É sempre muito gratificante ver os vossos textos e os de outros autores que publica em seu blog.
Há dez anos estou em Nossa Cultura e não tive, ainda, a oportunidade de conhecer melhor pessoalmente. Uma lástima que espero quebrar.
Com sua permissão gostaria de colocar em texto em meu blog também.
Um grande abraço deste seu admirador.

meu blog é: www.MetodoDeRoseGO.com


Carrer

Prof. António Pereira disse...

Pedro,
Obrigado pelas simpáticas palavras. Espero que brevemente nos conheçamos pessoalmente num dos eventos que ocorrem no Brasil, ou em Portugal.
Dou permissão de publicação dos textso deste blogue, no teu blogue desde seja citada a fonte da sua proveniência.
Um grande abraço,
António Pereira

Pedro Carrer disse...

Obrigado Ilustríssimo Professor Antônio Pereira.

Um grande abraços