quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Um péssimo hábito


Ontem, durante o convívio após a aula de mentalização que decorreu no Espaço Lifestyle, numa das conversas que decorriam, alguns comentários deram-me o mote da inspiração para o post de hoje, relativamente a Portugal e aos portugueses.

Nós portugueses temos um péssimo hábito, de falar mal do nosso país a torto e direito, sem valorizarmos aquilo que somos e o potencial que temos de crescimento e intervenção na transformação do mundo. Esse hábito revela uma visão pequena das coisas e uma falta de horizontes alargados. 


Ao viajarmos pelo mundo, acabamos por cada vez mais valorizar Portugal no seu todo. Isto não quer dizer que não tenhamos coisas para melhorar e aperfeiçoar no país, mas se continuarmos constantemente a dizer que tudo está mal, que somos uma porcaria, incorporamos cada vez mais esse hábito derrotista, pessimista, masoquista, reactivo e passamos a achar que realmente somos assim.

Paralelamente ao costume masoquista de darmos pancada na nossa auto-estima cultural e nacional, ainda temos os "velhos do Restelo" para dizer que é impossível fazer melhor, nunca iremos mudar, tudo é muito difícil e trabalhoso, como se a vida não fosse a arte de superar os obstáculos e dessa forma construir e renovar, além do nosso passado histórico apresentar grandes exemplos de transformação.


Nos últimos 40 anos, Portugal sofreu grandes mudanças para melhor, passando de um país estritamente agrícola, provinciano e fechado. Para um país europeu, aberto, cosmopolita e com serviços de grande qualidade, alguns deles melhores que o de outros países europeus.

Podemos confirmar isso lendo alguns livros recentes de vários autores: filósofos, sociólogos, economistas, entre outros. E, consultar os estudos feitos pelo sociólogo António Barreto sobre as transformações ocorridas em Portugal nos últimos 50 a  40 anos.


Deixo aqui o meu apelo, vamos todos fazer um esforço sério para contrariar esse péssimo hábito de denegrir o valor e a auto-estima nacional e procurar dar o nosso contributo na transformação e melhoria da sociedade portuguesa através do exemplo com realizações concretas e com críticas construtivas.

Concerteza dessa forma, aprenderemos a valorizar-nos muito mais, a ver para lá das dificuldades e discernir ainda mais as coisas boas e fantásticas que Portugal e os portugueses têm. Assim cresceremos muito mais e mais rapidamente!
António Pereira

8 comentários:

Anónimo disse...

Ainda que o país não tivesse evoluído e que fosse tudo uma porcaria, se escolhemos viver nele a atitude não pode ser a de critica destrutiva e atitude negativa. A escolha é nossa! A mim, muitas vezes, parece-me que é mais uma desculpa para o comodismo...

Ana Leonor Erra

Patty`R´te disse...

Professor, concordo plenamente. Paralelo a esta situação, todos os dias também ouvimos alguém a dizer que não vale a pena fazermos isto ou aquilo porque ninguém o faz e que somos apenas uma gota no oceano. Mas é de gotas que se faz o oceano... e devemos dar o nosso melhor!!
Beijinho,
Patrícia Coelho

David F disse...

"(...)
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
(...)" - A Portuguesa, Henrique Lopes de Mendonça

Marco Carvalho disse...

Acho que isso é uma condição humana. Pois aqui no Brasil é a mesma coisa, para nós tudo presta menos o brasil e/ou os brasileiros.

Deve ser um reflexo do dukha traya, sempre estamos descontentes com nós mesmos.

Abraços do Brasil.

Sandra disse...

Concordo plenamente consigo e aproveito apenas para destacar alguns aspectos em que somos realmente muito bons,fruto de reflexão efectuada numa viagem que realizei recentemente, nomeadamente na arte de BEM receber, no planeamento de actividades, na condução e execução de projectos e principalmente na habilidade para resolução de reclamações e solução de problemas.
Penso que o que nos leva a persistir nesta auto-desconsideração e baixa auto-estima reflecte a forma como temos educado os nossos jovens, premiando a "mediocridade" e valorizando " alei do menor esforço", precisamente porque fazer a diferença significa ir contra o staus quo. Felizmente o Método DeRose vem contribuindo para que algumas mudanças se façam já sentir e acredito que as novas gerações manifestarão abertamente o orgulho de ser Português.
Um abraço.

Prof. António Pereira disse...

Marco,
Pode ser também uma herança que os portugueses deixaram por aí! Abraços

Luísa Sargento disse...

E o reclamar?... bj

Prof. António Pereira disse...

Luisa,
O reclamar talvez seja dos piores hábitos. Uma coisa é termos noção dos nossos direitos e defendê-los, outra é sistematicamente ver defeitos em tudo e tudo está mal, e tudo ser azo para uma reclamação crónica: isso é patológico!
Além de que a reclamação não melhora em nada, por partir de princípio negativo; enquanto a sugestão de melhoria é construtiva, vê o esforço por detrás do que se fez, mas não denegride.
Temos de fazer um esforço de corrigir essa neurose crónica de reclamar por tudo e por nada.
Beijos
António Pereira