terça-feira, 9 de novembro de 2010

Um português e uma espanhola: uma vida


No dia 16 de Novembro, dia em que José Saramago, faria 88 anos, estreia-se o filme, Pilar e José, de Miguel Gonçalves Mendes, a ser projectado em 22 salas portuguesas (coisa rara) e ainda mais raro com  16 cópias enviadas para o Brasil.

Diz-se que é um filme com tantas histórias, mundo, música e bons diálogos, assim como está repleto de tanta vida e de tanta morte, mas também de riso, ironia, escárnio e veneno. Tal como na vida também tem, muito tédio, mágoa, amargura e amor.


Pode-se dizer que Saramago retrata o ser português: introvertido, melancólico, reservado na forma de contactar os outros, na forma de lidar e olhar. Enquanto, ela, Pilar: muito espanhola, muito intempestiva, combativa, abarrotando opiniões e esbajando energia. Ou seja ele a pensar muito antes de falar e ela a falar logo antes de pensar.

Saramago diz:

"Sentir como uma perda irreparável o acabar de cada dia. Provavelmente é isto a velhice." 

"Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar." 


Sobre algumas polémicas com os livros de José Saramago, a sua vida e as suas ideias, o realizador Miguel Gonçalves Mendes afirma:

"As pessoas que quiserem ver mal em tudo, continuarão a ver. O destilar de veneno que impera neste país só é mau para nós, enquanto povo, neste processo de autdestruição, de autoflagelação constante... Isso está a castrar-nos." 

E reforça da seguinte maneira:

"Um homem que tenha algo a dizer e não encontre ouvintes está em má situação, mas pior ainda estão os ouvintes que não encontrem quem não tenha algo a dizer-lhes." Bertold Brecht

Miguel Gonçalves Mendes refere-se à ligação entre Saramago e Pilar, como um encontro incrível, como uma conjugação cósmica entre os dois se resumisse à frase dita por ele.


"Eu tenho ideias para romances, ela tem ideias para a vida. Estás a aouvir Pilar? Acabei de dizer uma frase sobre nós." Saramago

Penso que será um filme a não perder, sobre a vida de um grande escritor e único Prémio Nobel da Literatura português, José Saramago e Pilar a sua companheira.
António Pereira

3 comentários:

Anónimo disse...

sendo sobre a vida do Saramago, o filme só pode ser, no mínimo, interessante ;)

beijinhos

Ana Leonor Erra

Susana disse...

É um filme profundo, comovente, extremamente bem realizado.

Tive vontade de entrar nele e de abraçar os seus protagonistas.

Espero que as pessoas deixem de lado os preconceitos e que aceitem nos seus corações esta partilha tão bela e tão absoluta de dois seres excepcionais, José e Pilar, que souberem viver o amor como poucos o sabem.

Beijinhos,

Susana Sousa

Prof. António Pereira disse...

Olá Susana,
Partilho das tuas palavras sobre este poema em forma de filme que me emocionou em várias partes. Vale a pena ver e rever!
Beijinhos,
António Pereira