quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Esperança e acção


Em Portugal, está muito no nosso inconsciente a "espera" de algo; um advir de um melhor futuro, como se as coisas não estivessem inscritas no presente. Teimamos em não fazer o luto com o passado e o presente menos bom, para podermos estar libertos para um futuro melhor.

Esperar está ligado a uma inércia e apatia letárgica que nos impede de agirmos e de sermos nós próprios, perdendo a nossa identidade.

Ficamos à espera que outros resolvam por nós os nossos problemas e infelizmente é isso que se passa actualmenter no nosso país.

Ter esperança, pode ser impulsionador se esta for bem canalizada em acções, mas por outro lado pode ser um factor de inércia, por nos impedir de agir pelo facto de esperarmos que algo surja e nos resolva os problemas, como um D. Sebastião que há-de vir das brumas do nevoeiro para salvar o país.


Estar desesperado é o auge da esperança aplicada em acção. É o querer reencontrar-se e libertar-se da letargia envolvente da esperança mal canalizada e conseguir fazê-lo, porque a acção afasta a apatia e revela outras opções e novos paradigmas que estavam obscurecidos por esta.

Existe uma inércia colectiva que parece nos impedir de avançar e isso é extremamente enervante. Às vezes basta mudar de lugar, de perspectiva, de ângulo ou entendimento para percebermos que é possível mudar e tornar aquilo que era esperança numa realidade.

Na inércia está o descalabro e a raiz da acomodação e da apatia. Na acção está a solução e o desbravar de novos horizontes, como os Descobridores o fizeram há 500 anos. 
António Pereira

7 comentários:

pimentinha37 disse...

Grande verdade!

sandra disse...

Extraordinário Professor!
Palavras mais adequadas ao que necessitava de ler não podiam haver! Há que ler, reler, refletir, agir... Fazer luto do passado, parece parte de uma decisão e acontece. No entanto, como enterrá-lo se o passado está tão presente nos pensamentos e por vezes, até simplesmente retorna e se materializa. A mudança acontece quando já não se aguenta mais? Quando a inércia pelo medo é superada pela necessidade de sobreviver?
As suas palavras comovem-me.
Um abraço,
Sandra.

Fátima Damas disse...

Concordo! Identifico-me com "as coisas....(estão inscritas)....no presente" e que é para o presente que temos de canalizar as nossas energias e saber que todas as experiências (mesmo as menos boas) têm um propósito. E que lucidez é entendê-lo.
Ah, e um guia marroquino disse-me que D. Sebastião não vai voltar nunca! Quis ficar em Marrocos. Não resistiu à beleza do País e das mulheres árabes....
Beijinhos Professor
Fátima Damas

Ana Paulo disse...

Ainda não consegui perceber a imobilidade da acção...
O que nos "tranca"? Quando afinal até sabemos o que fazer!
Não percebo se é o medo, o pensar demais, o sentimento de inferioridade....? O Ser Português? Demasiada informação?
Na filosofia da vida lá vamos soltando acordes.... mas acredito que o objectivo de todos é concluir aquilo que foi iniciado, pois se o sonhamos podemos consegui-lo! Vamos Agir!

Beijinhos,
Ana Paulo

Prof. António Pereira disse...

Olá Sandra,
Temosd e idealizar o presente e o futuro, mentalizando e agindo simultaneamente.
A inércia é suplantada pela necessidade de sobreviver e por já não se aguentar determinada situação.
A prática das técnicas do Método DeRose, com um foco especial na mentalização, a auto-reflexão e a vontade de mudar, geram a capacidade de nos auto-superarmos e irmos mais além, na concretização dos nossos sonhos.
Beijinhos,
António Pereira

Prof. António Pereira disse...

Olá Sandra,
Temos de idealizar o presente e o futuro, mentalizando e agindo simultaneamente.
A inércia é suplantada pela necessidade de sobreviver e por já não se aguentar determinada situação.
A prática das técnicas do Método DeRose, com um foco especial na mentalização, a auto-reflexão e a vontade de mudar, geram a capacidade de nos auto-superarmos e irmos mais além, na concretização dos nossos sonhos.
Beijinhos,
António Pereira

sandra disse...

Obrigada Professor!
As suas palavras são valiosas! Palavras, há infinitas pelo mundo. As que valem são aquelas que são vividas, sentidas e que nos tocam...
Um abraço grande,
Sandra.