quarta-feira, 23 de março de 2011

Como usar a verdade (satya)


Satya, é uma palavra sânscrita que significa verdade. Dá nome à segunda norma ética do Yôga de Pátañjali, o qual codificou esta filosofia prática no séc. III, a. C.. Essa codificação foi registada no livro Yôga Sútra, que tornou Clássico o Yôga, como uma das Filosofias do Hinduísmo (dárshana).

Sobre esta norma ética, satya, na tradução de DeRose, do Yôga Sútra, Patañjali diz-nos o seguinte: 

"O yôgin não deve fazer uso da inverdade, seja ela na forma de mentira, seja na forma de equívoco ou distorção na interpretação de um facto, seja na de omissão perante uma dessas duas circunstâncias. A observância de satya não deve induzir à falta de tacto ou de caridade, sob o pretexto de ter que dizer sempre a verdade. Há muitas formas de expressar a verdade."


Sobre a questão da verdade, li um destes dias na revista Pública, do jornal Público, um artigo muito interessante da autoria do psiquiatra Daniel Sampaio, do qual extraí aquilo que achei relevante para esta questão da verdade (satya) e do seu impacto quando é dita de forma crua e egoísta.

"Algumas famílias de hoje advogam ideias retiradas da sociedade aberta em que vivemos. Nessas casas, "frontalidade" é confundida com agressividade e "transparência" é sinónimo de violentação da intimidade. Em breve a confiança desaparece e os segredos aumentam, porque tudo é permitido e o jardim secreto da nossa intimidade depressa é devassado.

Nas famílias onde a comunicação respeita os limites, há lugar para segredos: pelo menos para aqueles cuja revelação faria (aos outros e ao próprio) mais mal do que bem. A boa regra será, perante um segredo, questionarmos se a sua revelação servirá só os nossos interesses individuais, ou se também será proveitosa para os outros."


É uma forma bem interessante de expressar as consequências de dizer a verdade, nua e crua, para o próprio e para todos os envolvidos nela, se daí advir um sofrimento maior para todos. 

É bom ler e reler a definição de Patañjali e absorver também o expressado por Daniel Sampaio, para fazer uma auto-análise, visando um maior auto-aperfeiçoamento e autoconhecimento.
António Pereira

3 comentários:

Anónimo disse...

Adorei...Muito bom!!!...

Beijinhos
Andreia Fragoeiro

Pena disse...

É um ato de consciência saber comunicar com responsabilidade, para connosco em sermos sinceros e para quem nos ouve em sermos sensíveis :)

Abraço.

Nice disse...

Verdade é Vida! Gostei muito da reflexão professor. Bem-haja!