quinta-feira, 21 de abril de 2011

A importância de se preservar a memória


No início deste mês de Abril, escrevi um texto para o blogue da Federação do Método DeRose de Portugal, sobre a importância de se preservar a memória daqueles que nos antecederam, para daí recolhermos ensinamentos e sermos coerentes com uma tradição milenar que valoriza a experiência, conhecimento e a sabedoria dos mais antigos.

Daí ser importante conhecer a História, para preservar a memória e aprender com o passado, de forma a perceber melhor o presente, para assim podermos construir um futuro melhor para cada Instrutor e Escola.

Em 1977 iniciei a minha prática do Método DeRose, através da 3ª edição do Prontuário, até ao momento mágico de conhecer pessoalmente o Mestre DeRose, em Fevereiro de 1980, em Cascais, quando ocorreu o primeiro Curso no nosso país.

Durante este ano, celebro 34 anos de prática e vivência do Método DeRose, 30 de carreira e 50 de vida! Olho para trás e vejo o caminho que se trilhou a partir do nada, os Instrutores formados, as escolas erguidas, a legião de alunos e praticantes que conheceram e conhecem a nossa Filosofia, as dificuldades, as vitórias e conquistas alcançadas ao longo destes anos, através de muito sangue, suor, lágrimas, dedicação e muito, muito, muito trabalho, mas valeu e vale a pena continuar a lutar por um Ideal tão Nobre como o nosso, no sentido de dignificar ainda mais a nossa profissão e de nos realizarmos através dela.

Independentemente dos cargos e honras que se tenha alcançado ou venha a alcançar, é sempre bom de vez em quando olhar para trás e ver de onde vimos, para sabermos para onde queremos ir e ter a consciência ética e humana de agradecer, respeitar e acarinhar com palavras, mas principalmente com actos, aqueles que nos precederam: Mestre, Conselheiros, Presidentes de Federação, Directores de Unidade e Monitor(a), porque sem eles não estaríamos aqui.

Nesse sentido, é importante mudar a atitude de como encaramos as coisas, no sentido de gerar as mudanças que queremos concretizar, sempre com sentimento positivo, criação de arquétipos por meio de visualização e muito trabalho para poder alcançar os objectivos almejados.

Nessa caminhada devemos ter sempre presente na memória o passado, não de uma maneira saudosista e negativa, mas antes de uma forma positiva, generosa e enaltecedora das conquistas que foram fruto dos que nos antecederam e para as quais damos agora o nosso contributo.

Devemos estar sinceramente agradecidos, pelo trabalho realizado pelo nosso Mentor, pelo Director da Escola do Método onde aprendemos ou ensinamos e pelo nosso Monitor, pela paciência, dedicação e tolerância que tiveram e têm, para nos ensinar e educar dentro dos padrões de comportamento da nossa estirpe filosófica.

É património da Nossa Cultura valorizar o exemplo, o conhecimento, a experiência e a sabedoria dos mais antigos, daqueles que trilharam o Caminho antes de nós e que conhecem a maioria das “armadilhas” e provas que podemos encontrar ou ter de enfrentar durante a nossa caminhada.

Todos temos de perceber e sentir a importância de preservar a Memória, de perpetuar a herança cultural que foi depositada nas nossas mãos, impregnada pela necessidade de não deturpar esse conhecimento e de não cortar essa corrente, da qual fazemos parte e que somos os principais beneficiados, ao mesmo tempo que seremos prejudicados se a cortarmos, por desencadearmos uma reacção kármica.

Temos a responsabilidade de transmitir fielmente para a nossa geração e gerações futuras os Valores e Princípios de uma Tradição Ancestral que veio desde Shiva, até DeRose e dele, até nós.

Essa é a Herança de Shiva da qual devemos ser verdadeiros baluartes e paladinos de ética, elegância e coerência, assumindo os nossos compromissos, celebrados com o Juramento de Instrutores do Método DeRose.

Este trabalho só terá a luz da dignidade se for valorizado integralmente por cada Instrutor no seu coração, desde que cada um respeite e enalteça toda a sua linha sucessória, de si para trás. Só assim o ensinamento de cada um terá a força, poder e energia dos Mestres da Antiguidade! 
António Pereira

1 comentários:

Pena disse...

Sem memória não teríamos a partilha desta sabedoria com mais de 5000 anos :) Sem memória não há obra feira e com futuro.

Abraço Professor :)