domingo, 16 de outubro de 2011

Às vezes...

Às vezes o sono não vem, porque nada me espera e a noite me encanta com o seu silêncio e a sua quietude calma. Imagens correm pela minha mente e vozes falam desde o meu interior. É uma sensação estranha, escutar-me quando ninguém me ouve na negritude da noite, enquanto lá fora todo um mundo ainda continua meio activo e outro viaja pelos sonhos de um sono profundo.

Ultimamente habituei-me a deixar o sono tocar-me e somente dessa forma me embriagar num cansaço, em que os olhos se enevoam, como se estivessem partidos. Uma expressão dos tempos de criança, trazida por uma memória das terras do alentejo.

São horas, são horas alguém grita, não sei de onde, por ter de ser, porque sempre foi assim e não por o corpo querer. Existem tantas coisas ainda a conhecer sobre nós que a vida corre e corre e tudo nos parece escapar nessa rapidez cada vez maior. E sempre a sensação de dentro, da criança que sempre existiu e existirá até ao final dos tempos, deste momento chamado vida.

Amadureci, mas ao mesmo tempo rejuvenesci e aprendi coisas que sempre trouxe comigo, escondidas na pele, no corpo, na mente, na memória dos tempos dos antepassados que nos construiram ao longo de gerações de familiares com o intuito de nos tornarmos naquilo que esperamos vir a ser, se por isso nos esforçarmos e não passarmos ao lado desse momento de glória e realização.

Às vezes após escutar estes diálogos, o sono toca-me no ombro e fala-me ao ouvido e diz-me: «Está na hora meu amigo.» Como se fosse aquela cantiga escutada em criança ou o ritual da mãe que prepara o filho para o seu descanso, dele e dela.

Está na hora! Amanhã há mais, assim esperamos sempre. Mergulhemos no sono que nos transportará para outros lugares e trará sensações diferentes. Amanhã há mais!
António Pereira

4 comentários:

raphael disse...

Mt bom amigo! Parabéns!

Ná disse...

Adorei Professor!

Pricipalmente esse rejuvenescer ao amadurecer!
Lindo, mesmo!

Natacha Santos disse...

Gostei muito!!!
Um beijinho grande....

Prof. António Pereira disse...

Obrigado Natacha!
Beijos,
António Pereira