quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades


Em tempos de mudança, tudo muda incluindo nós próprios e assim será ao longo da vida. Basta olhar para a Natureza que na sua aparente estabilidade das Estações do ano, imprime as suas mudanças, para não falar do Universo em constante mudança.

Sobre esse assunto deixo aqui um poema do grande poeta Camões que nos leva a profundas reflexões:

«Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;


Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.»

Luís de Camões (1524?-1580), in Sonetos

A mudança não deve ser vista como algo negativo, mas sim como uma componente da dinâmica da vida que muitas vezes é necessário cavalgar, para irmos até onde devemos chegar.

Preceito moderador: excesso de mudança é sinal de instabilidade. A mudança deve ser vista como um processo natural da vida na procura da estabilidade.
António Pereira

1 comentários:

sandra disse...

Existe um fio que dá continuidade ao nosso ser nesta constante mudança. Onde começou o fio, onde nos leva a mudança? Em tudo permanece a nossa essência que por estranhos caminhos nos leva...

Bjinhos,
Sandra.