quinta-feira, 31 de março de 2011

O medo...


O medo em certo sentido pode salvar-nos a vida, mas geralmente ele é o maior entrave para se ir mais além, mudar de vida, realizar mais coisas, descobrir outras realidades e pontos de vista, reencontrarmo-nos etc.

Sobre o medo deixo aqui um pequeno extracto de um livro, aparentemente pequeno na quantidade de folhas e para algumas pessoas poderá ser um livro não muito interessante, mas lá no fundo, é um livro com muito conteúdo que pode levar-nos a pensar mais e de forma diferente.

"E qual é a origem do medo de uma pessoa?
- No caso da maioria, é o ego - disse o velho. 
- Nosso ego costuma nos deixar arrogantes no pico e temerosos no vale. Ele nos impede de ver o que é real. O ego distorce a verdade. Quando você está num pico, seu ego faz com que as coisas pareçam melhores do que realmente são. E quando você está num vale, o ego faz com que as coisas pareçam piores do que realmente são. Ele o faz pensar que o pico durará para sempre e temer que o vale não termine nunca. Spencer Johnson, M.D., in "Picos e Vales"

A raiz da arrogância, é a insegurança que tem como fonte o medo. Resumindo, os arrogantes lá no fundo são uns medrosos que enaltecem o seu ego, para se sentirem seguros daquilo que não são.

Quando tiver medo, reflicta se isso faz sentido. Se o seu coração ou intuição lhe disser que sim, siga essa sensação, mas por outro lado pense se não é algo que lhe foi incutido socialmente, para que seja mais um entre outros e não tenha a liberdade de pensar por si e agir conforme os seus princípios e valores. 

Mesmo assim tenha a coragem de mudar e alargar horizontes para a sua vida, de modo a sentir-se melhor consigo e mais feliz.
António Pereira

quarta-feira, 30 de março de 2011

A não esquecer...


Hoje foi o dia de conversas com amigos e colegas que me telefonaram, para pedirem o meu conselho e opinião sobre situações que os afligiam, entristeciam ou desassossegavam.

Sem saberem e sendo assuntos tão diversos, acabaram por se tocar nalguns pontos, sendo um deles a facilidade com que hoje nos descartamos de coisas e pessoas, desvalorizando sentimentos e valores universais, numa cascata consumista e vazia de conteúdos.


Ter memória é saber aprender com o passado e com aqueles que trilharam o mesmo caminho antes de nós, desbravando-o para que pudessemos ir ainda mais além, do que eles foram no seu início. 

Ter memória é ter Honra, algo desconhecido de muita gente, mas um dos valores intrínsecos à lealdade e ao brio de ser e fazer tudo da melhor forma, mantendo a humildade inerente à honra de caminhar por caminhos semelhantes ao dos mais antigos.

Ter memória, é não esquecer e manter viva a recordação dos anteriores a nós e cuidar daquilo ou daqueles que possibilitaram que chegássemos ao ponto presente. Tem a ver com orgulho (honra) de pertencer a algo Maior e ter ética, enaltecendo o esforço e a dedicação daqueles que nos precederam, seja em termos familiares ou profissionais.


Alguém antes de nós, abriu caminho para que viéssemos dar ao momento actual. Por isso mesmo não devem ser esquecidos, mas isso só será possível se eles permanecerem carinhosa e respeitosamente no nosso coração.

Relembrar é um acto de autoconhecimento que nos faz definir um caminho e as mudanças necessárias para o trilharmos em maior segurança.


Toda esta dissertação foi surgindo enquanto escrevia e veio dar a um pensamento, retirado de um livro fabuloso, que reencontrei no meu bloquinho de bolso:

"Infelizmente, o homem tem o péssimo hábito de esquecer o passado. E quem não aprende com a história está condenado a repeti-la." Carlos Domingos, in Oportunidades Disfarçadas (na edição portuguesa Janelas de Oportunidade)

Este é para não esquecer!
António Pereira

Pensamentos para pensar


Porque é preciso aprender a pensar por nós próprios, fora dos paradigmas de formatação social que estão instituídos e nos cortam as asas do sonho e porque é preciso descobrir outros caminhos fora do comum, deixo aqui alguns Pensamentos de Grandes Homens, para gerar reflexões para a abertura de pensamento.

"É necessário ter caos cá dentro para gerar uma estrela." Friedrich Nietzsche

"A educação é a ferramenta mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo." Nelson Mandela

"Chamamos veneno ao que nos mata rapidamente; e alimento, ao que nos mata a longo prazo." DeRose

"Muitas causas há pelas quais me disponho a morrer mas nenhuma pela qual me disponha a matar." Gandhi

"Não existe paixão em jogar pequeno, em acomodar-nos a uma vida que é menor do que aquela que somos capazes de atingir." Nelson Mandela

"A verdade não é passível de ser encontrada por todo aquele que não possua um amplo sentido de humildade." Gandhi

"Quando perderes pela grandeza, ainda te resta ganhar pela simplicidade." DeRose

Boas reflexões e alargamento de horizontes mentais e de acção!
António Pereira

terça-feira, 29 de março de 2011

Era uma vez uma Rede...


Era uma vez uma rede, muito bem tecida na cabeça do seu criador que perpectivava a sua expansão para o maior número de pessoas, por pensar ser uma das melhores formas de melhorar a comunicação e reduzir a ignorância, ampliando a rapidez de acesso a informações vitais.

Como sempre, em toda a história dos tempos e das civilizações, quando uma ideia é fora do paradigma vigente, surgem sempre dificuldades e desanimadores. Felizmente um dos autores dessa rede, conseguiu ver ainda em vida, o seu sonho e criação espalhar-se pelo mundo, como um vírus.

Essa rede, chama-se Internet e dá-nos a possibilidade de estar a enviar este texto para milhões de pessoas que o acedam.


No sábado passado, morreu com 84 anos, Paul Baran um dos pioneiros da Net, com a sua Arpanet. Baran teve a ideia de uma rede de comunicação mais distribuída que fosse menos vulnerável a ataques.

Assim, em meados da década de 60 do séc. XX, Paul Baran apresenta esta ideia à AT&T, empresa operadora de redes telefónicas, a qual recusou e ainda afirmou que não resultaria, acabando por não investir nesse projecto.

Porém, mais uma vez a persistência, determinação e coragem de Paul Baran, de ir contra aquilo que estava estabelecido e pensado como único e certo, levou-o mais longe.


Em 1969, foi criada a Arpanet, com a ideia de Baran e de outros que, na mesma altura, pensavam em sistemas semelhantes. 

Baran demonstrou a sua humildade ao não reinvidicar para si a autoria da ideia e dos processos de funcionamento da Internet. Isso levou-o a afirmar em 2001, numa entrevista: "A Internet é realmente o trabalho de um milhar de pessoas."

Genial, perseverante, corajoso e humilde no bom sentido!
António Pereira

Tertúlia Cultural no Espaço Lifestyle


Esta sexta-feira, às 20 horas no Espaço Lifestyle, em Lisboa, retomamos as nossas Tertúlias Culturais, uma conversa em boa companhia acerca de assuntos diversos e pertinentes para os participantes no sentido de melhorar o nosso autoconhecimento.

Desta vez iremos abordar as relações humanas, nas suas diversas cambiantes e as dificuldades que se afiguram para todos e como através dos Conceitos e das Técnicas do Método DeRose, podemos melhorar as nossas relações pessoais e interpessoais.

Falaremos e leremos alguns textos relativos a esta temática. Porém, a Tertúlia somente será rica em termos culturais e de troca de ideias se tivermos uma participação massiva e pró-activa dos alunos e simpatizantes do Espaço Lifestyle. 

Contamos com a tua presença simpática e actuante!
António Pereira 

segunda-feira, 28 de março de 2011

Uma Ajuda...


Ontem o Espaço Lifestyle, organizou um Passeio Cultural pela cidade de Lisboa. Fomos ao Palácio da Ajuda, o último palácio real construído em Portugal.

Foi uma organização da responsabilidade do nosso aluno Tomé, o nosso Adido Cultural, que animou todos com a sua energia e boa disposição.

Ao fim de tantos anos, foi a primeira vez que entrei neste Palácio e, como eu muitos alunos nossos, e todos ficámos a conhecer um pouco mais da sua história e algumas estórias curiosas.


O Palácio da Ajuda não foi construído na totalidade, tendo sido só construído um terço e somente foi habitado pelo rei D. Luis e sua esposa a rainha D. Maria Pia.

Mas para saber mais sugiro entrar no site do Palácio da Ajuda: http://www.pnajuda.imc-ip.pt/pt-PT/palacio/HighlightList.aspx


É um museu muito bem cuidado, onde fomos muito bem recebidos pelos funcionários que têm um orgulho e brio em trabalhar e cuidar desta instituição.

A ideia dos Passeios Culturais que o Espaço Lifestyle iniciou neste último domingo, é o concretizar de um antigo sonho de estimular o convívio e um maior conhecimento da nossa cidade e país, entre os nossos alunos e instrutores e a partir deles, reverberar pelos seus familiares e amigos, valorizando aquilo que temos de bom e magnífico entre nós e conhecer melhor a nossa História para nos percebermos melhor como Povo.


Muitos de nós passeamos e visitamos mais e melhor outras cidades europeias como Paris, Londres, Madrid, Roma, etc., e desconhecemos os verdadeiros tesouros que existem perto de nós e das nossas residências.

Este tipo de passeio é uma forma de juntar o útil ao agradável. Passear dentro da nossa cidade e país e enriquecermo-nos culturalmente dando uma pequena ajuda a museus, como o Palácio da Ajuda que merece ser visitado e valorizado.

Após a nossa visita fizémos um simpático piquenique no Parque de Monsanto e depois os que não tinham compromissos e ainda tinham forças foram até ao centro Cultural de Belém, ver a exposição Mapa Mundi e BES Photo. Foram mais algumas horas de alegre e agradável convívio.

Assim se passou um domingo cultural em boa companhia! Venham mais passeios culturais!
António Pereira

sexta-feira, 25 de março de 2011

Visite os posts mais antigos!


Sugiro que visite os posts mais antigos deste blogue. Normalmente a maioria das pessoas só consulta os posts mais recentes, deixando de ver os anteriores e perdendo a oportunidade de ver outros, também, bem interessantes.

Aproveite e deixe o seu comentário, para que o autor tenha uma melhor percepção daquilo que os leitores deste blogue pensam e sentem sobre aquilo que aqui é publicado.
António Pereira

quinta-feira, 24 de março de 2011

Portugal...


Portugal, está a viver um momento histórico dos mais complicados das últimas décadas e para sair desta embrulhada, tem de saber ir buscar ao seu âmago a capacidade ancestral de ter a lucidez, a coragem e a determinação para dar a volta à situação. É preciso ver as coisas numa óptica positiva, para encontrar ou criar oportunidades (há oportunidades sempre, desde que se mude o paradigma) para elevar o Esplendor do país e deixar os altos desígnios marcarem a nossa caminhada.

São das situações complicadas que surgem as melhores soluções! É preciso querer mudar e ter a capacidade de o fazer com abertura e lucidez para encontrar consensos nacionais e não pessoais. Ter uma visão de Estado, de país, de conjunto, de futuro, a curto, médio e longo prazo e não, como se tem feito nas últimas décadas, uma visão curta e egoísta.

Necessitamos de mudar a atitude generalizada de descrédito em nós, no país e meter mãos à obra, inspirando-nos nos bons exemplos de realizações culturais, desportivas, empresariais e outras, que existem mas não são divulgadas. Necessitamos de mudar a visão pequena e invejosa, por uma visão ganhadora, realizadora, construtiva, tolerante e respeitadora do outro, mesmo ele que tenha um ponto de vista diferente do nosso, poderemos aprender alguma coisa com isso.

É preciso ter brio naquilo que fazemos. É preciso querer ir mais além para realizar os nossos sonhos. É preciso acreditar que é possível construir um país melhor e mais justo para todos. É preciso educar e formar carácteres ganhadores e vencedores, dando ênfase ao detalhe e ao perfeccionismo naquilo que nos empenhamos em realizar. É preciso mudar comportamentos e dar exemplos concretos, para que se gere a motivação e o entusiasmo em querer mudar, para gerar riqueza e realização pessoal e profissional.
É preciso difundir cultura para elevar as mentes para sabermos compreender-nos para gerar um orgulho saudável e maravilhar-nos com a vida. É preciso envolver as pessoas, para que elas se comprometam com o projecto Portugal, para que ele seja cada vez mais uma realidade.

Se tivermos essa vontade, cconseguiremos ir longe e alterar as coisas de forma justa e adequada para todos e não só para alguns. Viva Portugal!
António Pereira

quarta-feira, 23 de março de 2011

Como usar a verdade (satya)


Satya, é uma palavra sânscrita que significa verdade. Dá nome à segunda norma ética do Yôga de Pátañjali, o qual codificou esta filosofia prática no séc. III, a. C.. Essa codificação foi registada no livro Yôga Sútra, que tornou Clássico o Yôga, como uma das Filosofias do Hinduísmo (dárshana).

Sobre esta norma ética, satya, na tradução de DeRose, do Yôga Sútra, Patañjali diz-nos o seguinte: 

"O yôgin não deve fazer uso da inverdade, seja ela na forma de mentira, seja na forma de equívoco ou distorção na interpretação de um facto, seja na de omissão perante uma dessas duas circunstâncias. A observância de satya não deve induzir à falta de tacto ou de caridade, sob o pretexto de ter que dizer sempre a verdade. Há muitas formas de expressar a verdade."


Sobre a questão da verdade, li um destes dias na revista Pública, do jornal Público, um artigo muito interessante da autoria do psiquiatra Daniel Sampaio, do qual extraí aquilo que achei relevante para esta questão da verdade (satya) e do seu impacto quando é dita de forma crua e egoísta.

"Algumas famílias de hoje advogam ideias retiradas da sociedade aberta em que vivemos. Nessas casas, "frontalidade" é confundida com agressividade e "transparência" é sinónimo de violentação da intimidade. Em breve a confiança desaparece e os segredos aumentam, porque tudo é permitido e o jardim secreto da nossa intimidade depressa é devassado.

Nas famílias onde a comunicação respeita os limites, há lugar para segredos: pelo menos para aqueles cuja revelação faria (aos outros e ao próprio) mais mal do que bem. A boa regra será, perante um segredo, questionarmos se a sua revelação servirá só os nossos interesses individuais, ou se também será proveitosa para os outros."


É uma forma bem interessante de expressar as consequências de dizer a verdade, nua e crua, para o próprio e para todos os envolvidos nela, se daí advir um sofrimento maior para todos. 

É bom ler e reler a definição de Patañjali e absorver também o expressado por Daniel Sampaio, para fazer uma auto-análise, visando um maior auto-aperfeiçoamento e autoconhecimento.
António Pereira

terça-feira, 22 de março de 2011

O bom uso do computador portátil

Vi no blogue do Comendador DeRose e adorei o pequeno filme que coloco aqui (http://www.metododerose.org/blogdoderose/videos/so-serve-para-quem-usa-computador/). 

Como é algo tão importante para quem trabalha com computadores, nunca é demais repetir, mesmo que já tenha visto no blogue referido anteriormente, o qual sugiro que visite regularmente, devido aos temas extremamente interessantes que esse escritor, educador e filósofo coloca nas suas páginas.



É bom rever, de vez em quando, para o caso de se esquecer destas medidas ou de se ter acomodado a outras situações. Como tudo, isto só funciona se for assimilado e logo aplicado!
António Pereira

segunda-feira, 21 de março de 2011

Para reflectir com a mente aberta

Hoje a minha amiga Fernanda Freitas, colocou no Facebook, um texto sobre a Geração à Rasca, atribuído ao escritor Mia Couto, o qual deve ser lido com a mente aberta e levar a uma profunda reflexão, devido à importância do seu conteúdo e à forma como ele é tão bem explanado.

Aqui deixo o referido texto:

"Escritas D'outros : Mia Couto

Geração à Rasca - A Nossa Culpa
Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem  Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde  uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a  informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem  são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.
Pode ser que nada/ninguém seja assim."

Um bom exemplo conceitual do funcionamento do karma. Uma boa reflexão!
António Pereira

Uma prima muito especial!


Ontem tive a visita de uma prima minha que é muito especial para mim. Fazia um ano que não nos víamos. Ela todos os anos gosta de viajar para o Hemisfério Sul, porque também tem lá tantos amigos como neste lado do mundo. 

Esta minha prima é muito sorridente, luminosa e irradia uma energia transbordante que a todos contagia.

Convive tão bem com todos, desde novos a velhos, pessoas e animais e principalmente gosta muito de plantas, árvores e tudo do reino vegetal.

Posso dizer que a minha prima é linda. Ela é extremamente elegante e bonita. Tem muito charme e uma enorme capacidade de sedução, deixando toda a gente que a rodeia e com quem convive , super animada e com as energias vitais à flor da pele.

Porém, às vezes faz os outros chorarem, dando-lhes um imenso comichão nos olhos que também geram alguns espirros, entre outras sensações corporais.

Ela é muito namoradeira e tem um lado meio de cupido, porque gosta que todos estejam animados com o lado mais sensível e alegre da vida. 

Gosto muito da minha prima, mas como ela é tão especial, não sou só eu que gosto dela. Sê bem-vinda Primavera!
António Pereira

Olhares de Nyása, com Luis Lopes, no Porto


No sábado, à noite, na Escola Método DeRose - Boavista, no Porto, realizou-se o 1º Olhares de Nyása nesta cidade, em que foi meu convidado, o Prof. Luis Lopes. 

Aproveitámos para formalizar a minha renúncia do cargo de Presidente de Federação do Método DeRose de Portugal e passagem para Conselheiro Emérito, do Conselho de Notáveis e a assunção do cargo anterior, pelo meu irmão, amigo e colega Prof. Luis Lopes que estará muito bem assessorado com a nova Vice-Presidente, Profª. Letícia Ziebell. Foi feita história neste ano e nesse momento!


Depois dessa pequena formalidade, entrámos no Olhares de Nyása, percorrendo os 49 anos de vida do Prof. Luis Lopes.

Foram 4 horas de conversa, com momentos de reflexão, gargalhadas e filosofia, em que algumas questões universais nos fizeram reflectir a todos e ao mesmo tempo mostrou o lado humano que está por detrás de cada profissional do Método DeRose, neste caso o Prof. Luis Lopes.

Parabéns à organização da Federação do Método DeRose de Portugal, por nos ter proporcionado uma grandiosa e resistente plateia que estoicamente permaneceu até ao fim de 4 horas de animada, envolvente e profunda conversa. 

Agora o próximo Olhares de Nyása, será em Lisboa, em Maio e depois voltaremos ao Porto, em datas a anunciar, para uma e outra cidade. Até breve!
António Pereira

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ideias de um dia

Um dia senti a solidão que me desassossega, fazer-me querer gritar, chorar e rir sem sentido.
Um dia isso fez-me sentir mais vivo, por respirar o ar da vida que está presente em tudo e por o meu corpo vibrar uma vontade incomensurável de eternidade.
Um dia na vida, é como uma gota no Oceano, como um grão na caminhada cósmica, para um fim que será o início de outra coisa.
Um dia aprendi a relativizar os acontecimentos, como peças de um puzzle que podem ser ou não aquele que estou a construir.
Um dia apeteceu-me dizer-te como me sinto igual a ti, no sentimento viajante portado nas nossas veias, para não te sentires só, sejas tu quem fores.
António Pereira

quinta-feira, 10 de março de 2011

Regresso à actividade

Após uns dias afastado da actividade profissional, por motivos pessoais, regresso esta sexta-feira e restante fim-de-semana em força.

Assim amanhã, a partir das 19 horas, darei uma prática de SwáSthya, na Escola do Método DeRose -  Laranjeiras, tendo seguimento, no sábado, das 15 às 19 horas, com o Curso Sensibilidade e Autoconhecimento, na mesma Escola que tem a direcção do Instrutor Carlos Cunha. 

No domingo teremos uma maratona, na sede da Federação do Método DeRose de Portugal, no Espaço Lifestyle, das 11 às 18:30 horas, com o Curso de Preparação para Banca Avaliadora, para instrutores e alunos de Complementação Pedagógica da nossa Rede de Escolas. Um regresso em grande!
António Pereira

Os bons poemas...

"Os bons poemas mostram-nos as coisas, para além da realidade. Isso não é afastar-se do mundo, é entrar dentro deles." 
Lee Changdong, realizador coreano do filme Poesia (prémio argumento, em Cannes)
António Pereira

A força da escrita!

A força da escrita reside na intensidade dos sentimentos nela impregnados!
António Pereira

segunda-feira, 7 de março de 2011

Mude o mundo, comece por si!


Estou a reler o livro "Mãos à Obra - um guia prático para a publicação de livros", do nosso colega Rodrigo De Bona. Do capítulo que tem o nome deste post, retirei e adaptei umas citações deveras interessantes.

O Método DeRose preconiza um "estilo de vida baseado em técnicas e conceitos inspirados  directamente em tradições ancestrais professadas no período proto-histórico."

Essa filosofia pode ser definida como uma urdidura de conceitos e técnicas, oriundas de tradições culturais muito antigas.

"Essa cultura nos estimula a agir, a participar ativamente do mundo em que vivemos, através do desenvolvimento  de conceitos como civilidade e cidadania."


CIVILIDADE

"Civilidade pode ser definida como o conjunto de formalidades observadas entre si pelos cidadãos em sinal de respeito mútuo e consideração. Mas também, de forma mais genérica, representa polidez, urbanidade, delicadeza, cortesia. Isso significa não apenas boas maneiras ou educação, mas sim ter um comportamento refinado de forma natural, autêntica. Alcançamos o ponto ideal de civilidade quando não precisamos mais nos esforçar para sermos educados, sutis, polidos, pois isso passa a fluir despontaneamente de nossas atitudes."


CIDADANIA

"Cidadania é a qualidade de usufruir de direitos civis e políticos, é participar da sociedade em que estamos inseridos. Mas significa principalmente ter a noção de que temos direitos e obrigações perante a sociedade, portanto, podemos e devemos influenciar essa sociedade, seja em um sentido mais restrito (como na família, pais, filhos, parentes), no trabalho, ou mesmo no sentido mais amplo: temos o direito e a obrigação de influenciar o nosso país - e porque não? - de mudar o mundo!

Em um primeiro momento, o conceito de civilidade estimula a buscar o aprimoramento do indíviduo em todas as áreas (física, emocional e mental). Para isso, usamos as técnicas (orgânicas, respiratórias, etc.), a fim de conhecermos melhor o nosso corpo e condicionamentos, possibilitando-nos fazer escolhas cada vez melhores, mais saudáveis e inteligentes, interferindo positivamente na nossa vida, como uma espiral evolutiva infinita de autoconhecimento e autoaprimoramento. Isso significa sermos coreógrafos da nossa própria existência!

FAÇA PARTE DA HISTÓRIA

A partir daí, podemos, com maturidade e lucidez, influenciar a sociedade à nossa volta, mudar o mundo, intervir ativamente na existência humana e fazer parte da História. Por isso os grandes escritores são ditos imortais, pois os seus legados permanecem vivos para todo o sempre."

Se não fosse por mais nada daquilo que o livro nos ensina, por estes trechos, já valeria a pena ler e reler esta obra que recomendo vivamente.
António Pereira

sexta-feira, 4 de março de 2011

Boas impressões vêm de muito sítios


Independente de partilharmos das ideias ou de conhecermos ou não uma pessoa, devemos ter sempre a abertura de espírito para ouvir e observar o que essa pessoa nos diz e transmite.

Assim, hoje li uma entrevista dada ao jornal Público, em 03.03.2011, a Fernando Sousa, por Ingrid Betancourt, política e escritora que esteve refém 2321 dias na Colômbia, durante os quais foi privada de comida, de tratamentos, de intimidade, acorrentada, humilhada e obrigada a caminhadas até os pés sangrarem, tendo chegado a desejar morrer. 

Numa breve passagem por Lisboa, veio divulgar o livro O Silêncio Tem Um Fim, publicado agora em Portugal pela editora Objectiva, o qual é relato do preço que pagou durante o período de cativeiro.

Como a sua entrevista, tem algumas ideias interessantes, resolvi transcrever aqui alguns extractos que achei pertinentes, relativamente a valores e princípios que defendemos: a capacidade de cada um mudar e  poder ser aquilo que está no seu íntimo, seja mais cedo ou mais tarde; e de ser cada vez melhor pessoa.

"Disse durante o seu cativeiro que no fim quereria ser uma mulher diferente. É?
Muito. Muito diferente.

Em que é que mudou?
Na consciência de que se pode ser melhor. Vivemos numa sociedade que nos formata. Na selva tomei consciência de uma realidade muito diferente: uma pessoa não tem que ser o que não quiser ser. E isso implica um grande esforço, porque o que não se quer ser é algo que está lá muito em cima, são metas muito ambiciosas, implica uma pessoa enfrentar-se a si mesma e transformar-se. Quando digo que sou uma mulher diferente, isso é mesmo verdade, não tanto por considerar que consegui as mudanças que quis, mas porque me tornei consciente de que me fui transformando e que cada vez o consigo melhor. 

E como se processou essa transformação?
Através da dor. É assim que se dá esse despertar da consciência. É ela que permite veres-te de outro modo. 

Escrever este livro ajudou-a?
Foi parte dela, sim, sem dúvida. 

Uma forma de catarse...
Não foi pensado como tal, mas acabou por ajudar.

Obrigando-a a recordar?
Tive que voltar a mergulhar nesses momentos, com tudo o que estava a sentir, os odores, a luz ou a falta dela, as pessoas à volta, com tudo o que estava a pensar. Sensações muitos tácteis, físicas, emocionais e também espirituais. Houve fases em que disse: "Não, disto não me quero lembrar." Porque não gostei de como me portei, reagi, pensei. Mas concluí que fora o que se passou e, então, quis deter-me nesses instantes, reflectir e perguntar-me o que é que se tinha passado.

E aguentou essa tensão.Escrevi este livro ora a chorar, ora a rir. Olhe: foi uma espécie de alpinismo espiritual.

Escreveu que queria aprender para não sentir o tempo inútil. O que é que aprendeu na selva?
Uuuuuuuuuuui!! Um mestrado, um doutoramento sobre a condição humana!

E de que forma pode usar isso agora a favor de outras pessoas?
É o que estou a tentar fazer. Uma das coisas é dizer às pessoas que podemos ser diferentes. Essa descoberta para mim foi essencial. Não estamos condenados a ser o que somos. Podemos ser seres completamente diferentes. Custa? Sim. É muito difícil? Sim. São processos que podem durar anos? Também. Mas é uma conquista diária. Todos os dias nos confrontamos com a nossa pequenez, o nosso egoísmo, a nossa mesquinhez, a nossa falta de compaixão. E todos os dias, à noite, podemos fazer essa revisão."

A caminhada para o Autoconhecimento, é árdua e estreita, mas vale a pena desbravar esses terrenos difíceis com que diariamente nos confrontamos, procurando ser cada vez melhores Seres Humanos e mais competentes em tudo aquilo em que estamos envolvidos. Vale a pena!
António Pereira

quinta-feira, 3 de março de 2011

Vaidade e convencimento e a sapiência da humildade

A vaidade e o convencimento, são deturpações de carácter manifestadas em algumas pessoas e em meios profissionais. Sobre elas um escritor catalão, numa entrevista dá uma resposta extremamente interessante.

Ele refere-se simplesmente aos escritores, mas eu penso que infelizmente, não é só nesse meio que surgem algumas pessoas vaidosas e convencidas de serem mais que os outros.

"Também acha que os escritores são insuportáveis?
O pior defeito que têm é a vaidade. Há no meio dos escritores uma grande quantidade de gente de valor muito discutível, mas acham-se absurdamente importantes. Suspeito que há gente de maior nível intelectual noutros meios, como o científico. O convencimento, a vaidade, por outro lado, deveriam ser banidos da literatura porque são sempre sentimentos estúpidos. Devemos recordar que onde há humildade há saber. Kafka, por exemplo, era humilde. Se o imaginarmos um indivíduo soberbo, não nos parece logo um imbecil?" Enrique Vila-Matas, escritor catalão (em entrevista a José Riço Direitinho, no jornal Público, 23/02/2011)

A força e a sapiência da humildade são muito bem enaltecidas de forma simples, por este escritor, cujo último livro é uma paródia sobre o fim da Literatura, reflectindo sobre o seu fim e dos verdadeiros escritores.

Havemos de voltar a falar mais sobre a vaidade, o convencimento e a sapiência e força da humildade.
António Pereira

quarta-feira, 2 de março de 2011

O impacto do pai


Não é por acaso que na tradição filosófica hindú, Mestre, tem uma importância crucial na formação e educação dos seus seguidores. Um desses sentidos entre outros, pode ser o de Pai!

Isso porque a própria figura do pai, é de extrema importância no crescimento e desenvolvimento de cada um de nós quando crianças e futuros adultos. Se pensarmos numa criança, como um Ser Humano sem registo de aprendizagem, além daquel que traz no seu ADN, concluímos a importância que têm os dois progenitores ou quem desempenhe o seu papel, pelo carinho, afecto e exemplos de vida que vai dando a esse novo Ser.

Um reforço dessa importância do papel do pai, está muito bem explanado num pequeno filme que foi hoje colocado no Facebook, pela minha amiga e colega do Método DeRose, Profª. Catarina Candeias. Como gostei muito do vídeo, resolvi apresentá-lo aqui:



Boas reflexões!
António Pereira