sexta-feira, 6 de abril de 2012

Cores e sabores

Uma cor e um sabor, na noite luminosa, enquanto contemplava pela janela a Lua Cheia de vida, tocava-lhe de uma forma fora do comum. Um silêncio interminável enchia a noite e inspirava as palavras para saírem de dentro de si, em abundante cascata de sentimentos por agarrar em ficções reais. Como explicar isso a quem não sente a mesma coisa, era uma questão para a qual ainda não tinha solução.

A verdade é que via pessoas que riam e outras choravam. Tudo era simplesmente vida acompanhada e vida solitária, como fotos tiradas de improviso as imagens surgiam do nada, talvez motivadas pelas músicas que ecoavam na sua cabeça.

Nesse momento, olhou para a página branca, a qual tinha o dom de purificar os seus medos e enganos e de lhe dar certezas escondidas em si desde sempre e com a força delas encontrar caminhos para as histórias de todos que brotavam do seu interior como gotas de água, a caírem do céu quando a chuva fertiliza a terra.

Não era a primeira vez que entrava por essa porta que o levava a locais jamais imaginados. A única solução era deixar-se ir, com a confiança que tudo é aprendizagem para um maior conhecimento. Por dentro, muitas vezes uma tristeza soluçante estremeciam-no, abalando as suas certezas e despertando fantasmas julgados desaparecidos. Nessas alturas nem um sorriso conseguia esboçar, somente um choro interno era libertador, mesmo sentindo que dentro de si, havia outro mais forte que o impelia a ir em frente.

Poderia ser ele, como outro qualquer que tenha vivido algo semelhante. Por isso mesmo, o seu sentido de dever em tocar outros que amarguraram dias de estranheza, com medo e tristeza, que abafam a alegria de viver que lhes está colada na pele e na alma.

Somos todos únicos, mas simultaneamente, somos todos iguais na essência da nossa humanidade e consciência para podermos ser tudo. Se houvesse um desejo, seria esse com o qual gostava de tocar internamente todos os que com ele convivessem para lhes gerar um sorriso de felicidade pela partilha mútua.
António Pereira

2 comentários:

David F. disse...

Muito bom professor. :)
Um abraço de boa páscoa.

Prof. António Pereira disse...

Obrigado David e retribuo o abraço de Páscoa!