sábado, 14 de julho de 2012

Ficções de uma noite


Aquela era uma noite igual a muitas outras, mas a brisa de Verão que soprava, parecia trazer sussurros de futuro que lhe ligavam os fios da alma, que se encontravam soltos fazia um tempo.

Uma vontade inexplicável de fazer algo ainda não conhecido, assomou por dentro de si, como um grito contido desde tempos remotos. Naquele canto deserto, junto ao rio, João inclinou-se e espreitou a noite estrelada. Nesse preciso momento, viu o rasgar luminoso da queda de uma estrela.

Lembrou-se de quando era criança e espreitava à noite, pela janela da casa-de-banho, o céu pontuado por aqueles pontos luminosos. Com sorte, conseguia ver um ou outro rasgo de luz, a marcar a sua entrada na atmosfera e nessa altura, questionava-se na sua ainda pequena experiência, se do outro lado, ou seja da estrela observada, alguém como ele olhava de uma janela e pensava o mesmo.

No meio de tanta imensidão cósmica, observar tanto brilho num manto escuro, dava uma sensação confortável de companhia, mesmo que não soubesse se além, nesse oceano se encontraria alguém como nós.

- Nunca se sabe! Nunca se sabe aquilo que podemos encontrar, por aí! - disse João para si. E pensou quantas vezes, episódios aparentemente sem sentido, nos ligam a outros e a situações inimagináveis e nos levam a outros lugares, preenchendo o vazio interno que cada um transporta dentro de si.

Uma aparente solidão, pode ser o primeiro passo para se estar acompanhado. Era o que o Universo lhe mostrava com tanto firmamento ao nosso redor. 

Pelo menos, enquanto não encontrasse uma resposta mais lúcida e concreta, poderia criar uma história à volta dessa frase, para contar às pessoas que fosse conhecendo e assim, gerar companhias e apagar solidões. 

Sorriu de uma forma peculiar e agradou-lhe a ideia de unir esforços e corpos catalisadores de vontades escondidas, para desabrochar o melhor de cada um, iluminando esses lugares profundos que habitam dentro de cada um, estimulando um sorriso de olhos brilhantes de satisfação e amor. 

Eram fluxos da noite, mas grandes verdades escondidas brotavam dos cantos escondidos da realidade. Agora, o melhor era pôr pés ao caminho e ir para casa dormir e sonhar com estrelas habitadas por mulheres doces, inspiradoras e sensuais.
António Pereira

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